← Recursos Tutorial · Cegid 19 de Abril de 2026 5 min de leitura
Imobilizado em curso — registar antes de estar operacional.
Empresas que fazem obras, construção, montagens industriais ou desenvolvimento interno de software têm custos a acumular durante meses contra ativos que ainda não existem para efeitos de depreciação. O Cegid trata isto com o conceito de Imobilizado em Curso — se bem usado, a transição para ativo definitivo arranca com a data certa.
Imobilizado em curso — também designado "investimento em curso", "bens em curso" ou "imobilizado em construção" — é a categoria contabilística onde se acumulam custos de ativos tangíveis ainda em desenvolvimento, construção ou montagem, que ainda não estão operacionais. Uma obra de fábrica em construção, uma linha de produção em instalação, um edifício em remodelação: todos acumulam custos que não podem depreciar porque o ativo final ainda não existe.
O tratamento contabilístico tem três regras que se confundem facilmente, e que são a origem de quase todos os erros de encerramento fiscal nestas operações:
Três regras, três armadilhas
1. Imobilizado em curso não deprecia enquanto estiver em curso.
2. Aceita adições contínuas de faturas e custos até ficar pronto.
3. Pode dar origem a vários ativos definitivos com datas diferentes de entrada em serviço.
Criar a ficha de Imobilizado em Curso
No Cegid Primavera v10, o caminho é Finanças → Equipamentos e Ativos → Ficha. Cria-se uma nova ficha com:
- Identificador e descrição — conviram ser específicos (Edifício sede — remodelação 2026, em vez de Obra), porque são estas as referências que aparecerão nas faturas imputadas.
- A opção Ativo Fixo ativa por defeito — deixar assim.
- No separador Informação Fiscal, Tipo de Investimento em Curso — definir corretamente, porque condiciona como o ativo aparece no SAF-T da Contabilidade e em mapas fiscais.
- Centros de custo / departamentos — imputar desde o início, senão reparte-se tudo retroativamente no fim, que é moroso.
Com a ficha criada, as faturas de fornecedores (empreiteiros, fornecedores de equipamento, consultores especializados) podem ser imputadas diretamente ao ativo em curso. O Cegid soma tudo na ficha à medida que os documentos são registados.
O momento crítico — a transferência
Quando o ativo entra em serviço, há que o converter em um ou mais ativos definitivos. Este é o passo onde a maioria dos erros acontece.
- Criar a(s) ficha(s) definitiva(s). Se a obra deu origem a um único ativo, uma ficha. Se deu origem a vários (edifício + equipamento industrial + instalações elétricas, por exemplo), uma ficha por cada, com categorias contabilísticas distintas e taxas de depreciação próprias.
- Registar a transferência do valor acumulado da ficha em curso para a(s) ficha(s) definitiva(s). Em Equipamentos e Ativos → Movimentos → Transferência, indica-se a origem, o destino, e o valor a transferir.
- Verificar a data do documento de transferência. Este é o ponto mais importante: se a ficha definitiva ainda não tiver qualquer movimento, a data de aquisição e o início da depreciação serão definidos pela data do documento de transferência. Transferir com a data errada implica depreciar desde a data errada — com impacto fiscal no exercício.
A depreciação começa na data em que o ativo entra em serviço, não na data em que alguém fez o lançamento no Cegid. Registar a transferência com data do dia em que se lança é o erro mais comum nestas operações.
Armadilhas típicas em obras e instalações
- Faturas que chegam depois da transferência. Acontece em quase todas as obras — há um fornecedor atrasado cuja fatura só chega no mês seguinte. Se já transferiu o ativo em curso para definitivo, reabrir o processo implica reverter a transferência, imputar a fatura à ficha em curso (que tecnicamente já foi "fechada"), e refazer a transferência. Evita-se com um período de carência antes de fazer a transferência — tipicamente 30 a 60 dias após a conclusão formal da obra.
- Ativos componentes com datas diferentes. Numa linha de produção, a estrutura civil entra em serviço antes do equipamento. Criar fichas separadas com datas de entrada em serviço distintas dá uma depreciação fiscalmente correta. Amontoar tudo numa única ficha, não.
- Custos financeiros (juros) capitalizáveis. Juros de financiamento específico à obra podem ser capitalizados no valor do ativo em curso. Requer lançamento explícito — não é automático.
- Imputação genérica em "obras" em vez de ficha identificada. Se os fornecedores veem o centro de custo "Obras" sem distinguir qual obra, no final é impossível saber quanto custou cada uma. Obriga a reconstruir por mapeamento de faturas, trabalho que duplica o do original.
O que fica diferente em 2027
Com a extensão do SAF-T da Contabilidade durante 2027, o imobilizado — em curso ou definitivo — passa a ser reportado com taxonomia SVAT explícita. O campo Tipo de Investimento em Curso no separador Informação Fiscal, hoje um campo auxiliar, passa a ter relevância direta na submissão. Fichas mal classificadas vão aparecer como avisos na validação do SAF-T.
Momento recomendado para a limpeza: quando se gera o primeiro SAF-T da Contabilidade de teste do exercício 2026 (idealmente em Janeiro 2027) e a AT devolver os primeiros avisos.
A seguir
Se tem obras ou projetos de investimento em curso e nunca verificou como estão classificados no Cegid, um diagnóstico de 30 minutos inclui a análise do estado actual das fichas de Imobilizado em Curso e a lista de ajustes antes do próximo encerramento fiscal.
Fontes consultadas: Documentação técnica Cegid Primavera Evolution (módulo Equipamentos e Ativos) · Sistema de Normalização Contabilística — NCRF 7 (Ativos Fixos Tangíveis) · Código do IRC (regras de depreciações e amortizações).
